R$ 500 mil, Silval pediu para empresa doar propina à eleição de Pedro Satélite
O ex-chefe de Gabinete Silvio Corrêa relatou que o ex-governador Silval Barbosa pediu a um empresário conhecido como “Sr. Pampa” que doasse R$ 500 mil para a campanha do deputado Pedro Satélite (PSD), que acabou eleito. Oficialmente, a empresa dele, Apuí, doou R$ 100 mil ao social-democrata, conforme dados do TSE. O parlamentar integra uma planilha entregue por Silvio à Justiça, de deputados que receberam propinas que chegaram a R$ 600 mil.
As informações constam na delação premiada feita pelo ex-chefe de gabinete junto à Procuradoria-Geral da República (PGR). Além dele, Silval e familiares também colaboraram com a Justiça. A colaboração já foi homologada pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF) e na última sexta (25) o ministro determinou a retirada do sigilo dos depoimentos e autorizou a abertura de um inquérito para apurar os crimes.
Em depoimento prestado em 3 de maio, na sede da Procuradoria da República em Mato Grosso, Silvio citou a existência de um esquema de propina com a construtora Apuí, cujo proprietário era o empresário Pampa.
De acordo com Silvio, no final de 2011 ou início de 2012, o empresário Pampa o procurou em seu gabinete no governo. Nesse encontro, Pampa pediu ajuda de Silvio para receber valores atrasados que a empresa tinha de crédito junto à Cooperativa Condominial Autônoma (Coaut), eis que a cooperativa tinha débitos a receber do governo estadual.
Silvio conta que conversou, então, com o ex-governador Silval Barbosa que lhe sugeriu cobrar R$ 1 milhão de propina da Apuí Construtora, o que foi feito. A primeira propina da Apuí foi paga em 2012 em um valor de R$ 1 milhão, sendo R$ 700 mil em cheques e R$ 300 mil em dinheiro.
Um segundo repasse de propina, também fixado em R$ 1 milhão, foi pago com um cheque no final de 2013 ou início de 2014, de acordo com Silvio.
Desses pelo menos R$ 2 milhões, Silvio conta que se apossou de R$ 80 mil e repassou o restante para Silval Barbosa, que teria usado o dinheiro para pagar dívidas políticas.
O ex-chefe de Gabinete relata que após todos esses contatos com o dono da Apuí, o ex-governador aproveitou para interpelar Pampa para pedir uma ajuda para a campanha de Pedro Satélite. Porém, Silvio não sabe dizer “se tal valor foi realmente pago”.
Outro lado
Em nota, o deputado Pedro Satélite diz que jamais solicitou ou recebeu “mensalinho” ou outro pagamento ilícito. “A tentativa de envolver o meu nome nos esquemas citados por ele, em delação a justiça, não passa de uma forma leviana e irresponsável de buscar a liberdade, tanto que o mesmo não apresentou qualquer prova do meu envolvimento.”
Por último, o parlamentar disse que “ao longo dos mais de 20 anos de vida pública, nunca respondi a qualquer processo eleitoral ou criminal. Sei dos meus atos e estou absolutamente tranquilo. Sou a favor das investigações e da responsabilização dos envolvidos”.